3 de fevereiro de 2015
Antes de vir para o intercâmbio o que eu mais temia era o inglês. Fiz um ano de inglês em uma escola próxima de casa e que ensinava aquele método mais comum de oito anos. Eu não gostava das aulas e percebi que eles não saiam do lugar, ficam aprendendo a mesma coisa por seis meses e as pessoas eram muito chatas. Pedi pra trocar de escola e a minha mãe foi atrás de outra escola de inglês. Fui parar na primeira turma teen da nova escola na cidade, a Wise Up, e foi ali que em três anos e meio fiquei ate vir para o intercâmbio.

O curso deles é de quatro anos e pelo menos eu amo este método de ensino já que é rápido e prático, não fica voltando e voltando e voltando tudo novamente. Infelizmente não me graduei lá então não tenho diploma, faltaria só mais seis meses para completar o curso mas vim pro intercâmbio antes disso.

Sempre fui uma pessoa muito preguiçosa quando se trata de estudar então mesmo sabendo que eu estava prestes a vir pro intercâmbio não estudei nada, só continuei escutando as minhas músicas em inglês, assistindo vlogs gringos e li A Culpa é das Estrelas em inglês.

Logo de cara, no avião, eu já tive problemas de comunicação. Eles não conseguiam entender e eu não conseguia explicar que só queria o papel para a alfândega. No primeiro dia eu estava nervosa e tímida então o pessoal deu um crédito, ajudando com a pronuncia, nas palavras erradas e fingindo que me entendia só balançando a cabeça mas com uma cara de wtf. Até que consegui explicar tudo que queria e tirar algumas dúvidas, fiquei surpresa porque no Brasil eu nunca tinha praticado conversação.
O primeiro momento é um choque, você está tão nervoso (a) que consegue entender e explicar tudo mas depois de alguns dias que se passam e seu cérebro consegue relaxar, o bicho pega. Parecia que na minha primeira semana eu entendia tudo na escola e o que meus host parents diziam mas na segunda semana senti que tudo que eu sabia foi apagado. Eu não sabia montar uma frase que fizesse sentido. Foi muito difícil pois ai que caiu a ficha que eu não sabia nada sobre inglês. Minha pronúncia era toda errada e minha escrita era um desastre. Também descobri que os professores brasileiros me ensinaram muita coisa errada.

Neste momento entrei em desespero, dorflex me salvou todas as noites porque sentia que a minha cabeça podia explodir a qualquer momento. Eu não entendia nada o que os professores diziam e sempre pedia para que falassem mais devagar.

Minha host mom é a minha professora de inglês particular 24hrs por dia. Ela me corrige em tudo, muita gente não gosta de ser corrigido mas eu adoro pois estou aqui pra aprender e ainda não estou 100% boa. Ela tambem esta me ajudando a fazer um levantamento do meu avanço conforme os meses forem se passando e agora já estou no nível "sabe se comunicar com qualquer pessoa e entender mas ainda tem dificuldades em se expressar e dar sua opinião" hahaha

Como disse, o começo foi muito difícil pelo menos para mim. A toda hora você esta aprendendo uma nova palavra e essa palavra vai entrando para o seu vocabulário sem que você perceba e quando me toquei depois de quatro meses eu já estava assistindo aula como todos os outros aulos.

Outra coisa que fiquei bem feliz foi porquê aqui eles assistem MUITOS filmes, não temos netflix mas sempre estamos assistindo filme, e quando cheguei não entendia muito bem e hoje entendo tudinho o que falam! Também tem as músicas na rádio que já entendo 60% e aprendo a cantar muito mais rápido que no Brasil. O que me falta é sonhar em inglês, sonho muito que meus host parents foram para o Brasil ou meus pais vieram pra cá e os quatro estão juntos mas ta todo mundo falando em português haha

Acho que é valido você se esforçar um pouco mais no inglês alguns meses antes de chegar mas você estudando ou não vai ter dificuldades quando chegar, a não ser que você já tenha um inglês muito bom.

Durante uma aula de química eu estava conversando com algumas meninas e elas comentaram na minha frente "Your accent is so cute. But Your english..." E fizeram uma cara tipo "não to entendo nada querida" foi então que decidi ir a biblioteca e pegar alguns livros para começar a ler e isso esta me ajudando muuuuito. Sinto que meu vocabulário cresceu e é muito gratificante você ler algo e entender tudo, você sente que todo o seu esforço esta valendo a pena. Tenho certeza que daqui mais seis meses vou voltar para o Brasil com um inglês fluente ou quase perto disso.

Em uma festinha de intercambistas começamos a comparar os sotaques e como isso afetava nosso inglês. Os brasileiros, por exemplo, tem muita dificuldade quando a palavra tem um r no meio. Estou aqui a quatro meses e a palavra squirrel é uma das mais difíceis e quando tentam me mostrar a diferença não tem!!! Palavras como people e ukulele fazem com que eu seja zoada a cada vez que pronuncio, não sei por quê.

Conheci uma brasileira que mora aqui a mais de 10 anos e advinha? Ela tem sotaque! e muito mais forte que o meu, vai entender. O importante são as pessoas te entenderem e você entender as pessoas, sotaque é só charme ;)

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